quarta-feira, 10 de junho de 2009

Sobre Martinho Lutero




A obra dos teólogos místicos não convinha á Lutero, que desejava justamente substituir por um esforço exterior voltado objetivamente para os atos, o esforço interior dirigido para a renúncia a si mesmo. Por isso a fase mística do jovem monge durou pouco.
O jovem procurava o absoluto e também não o encontrou na doutrina dos místicos, a cujo estudo se dedicou ao convento. Porém sua vida intelectual e espiritual não lhe traria apenas decepções. Suas leituras e estudos não se limitariam apenas às obras dos místicos e dos nomalistas. Os trabalhos de Santo Agostinho, gozavam no início do século 16, de muita popularidade principalmente nos conventos reformados segundo sua regra. De 1509 á 1511, Lutero se dedicou ao estudo de muitos livros do mestre: As confissões, a cidade de Deus, a verdadeira religião, a doutrina cristã.
Foi a leitura de Santo Agostinho que o preparou para ler e comentar as Sagradas Escrituras. Da sua obra ele tirará algumas das doutrinas essenciais do luteranismo, a regeneração pela fé, a imperfeição da natureza humana, a ação toda-poderosa da graça, . Há inclusive em volumes das obras de Santo Agostinho anotados nas margens por Lutero, provas de que essa leitura provocou nele franco repúdio aos nomalistas.
Mas a leitura diária do jovem monge e seu alimento espiritual era a Bíblia. Sabia de cor até a página em que se encontrava cada passagem, no exemplar que recebeu ao entrar no Convento. A medida que avançava seus estudos a Biblia ia tomando um lugar cada vez mais importante.
Antes de Lutero muitos procuraram na Sagrada Escritura ensinamentos e diretrizes que faltavam aos cristãos, constribuindo para torná-la mais conhecida e melhor compreendida. Humanistas e eruditos como Lorenzo Valla, Pico de La Mirândola, Erasmo de Rotterdam.... tornam possível a leitura e compreensão dos livros sagrados. Mas nenhum deles logrou descobrir, nos textos bíblicos, a palavra de Deus capaz de transformar uma vida em busca daverdade. Agiam movidos por prazer intelectual, e embora o texto bíblico fosse para eles sagrado, objeto de respeito e amor, não representava imperativo categórico ao qual o homem em busca da verdade deveria submeter-se.
"O reino de Deus é o da graça e da misericordia, e não o da ira e do castigo, pois ele é todo perdão deferência, amor, benefício, paz e alegria. Mas o reino do mundo é o da cólera e da severidade, porque é todo punição, proibição, condenação para abater os maus e proteger os piedosos"
Lutero fez do cristianismo algo puramente espiritual que só diz respeito à vida interior, enquanto a doutrina monista se inspira na tendência oposta, que consiste em exteriorizar a vida cristã, fazer dela um ativismo, de modo á torná-la passível de uma demosntração empírica.

Um comentário:

Luteranos disse...

Muito interessante do enfoque que você deu à trajetória de vida de Martim Lutero e o processo de descoberta da mensagem da graça. Gostei muito deste recorte.
Rolf Schünemann - Portal www.luteranos.com.br

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